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A realidade do ministério pastoral e seus contrastes.

    Um sorriso nem sempre revela alegria; pelo contrário, uma hora esconde o desgosto, outra hora disfarça o cansaço. Às vezes o choro parece um alívio, parece emoção, mas, no fundo, é apenas o peso daquilo que nos machuca, de ações que nos ferem, de coisas que nos entristecem. Por vezes, no vazio do silêncio se escondem muitos gritos e, em meio à multidão, a solidão se evidencia. Mas quem liga para isso? Alguém percebe isso? A realidade em contrastes resulta dos constantes conflitos entre expectativas e frustrações, entre conquistas e fracassos, entre consideração e desprezo. A impressão que temos é que, no ministério pastoral, não sabemos se os contrastes se completam ou se repelem, se são de fora para dentro ou se são de dentro para fora.

    Em nossa curta passagem por aqui, o ideal era que fôssemos tratados pelo que somos; talvez fosse mais justo, mais equitativo, mesmo enfrentando o risco de sermos julgados equivocadamente ou confundidos injustamente. Entretanto, a humanidade insiste em nos tratar pelo que temos, pelo que podemos oferecer ou pelas conveniências que em nós se pode extrair ou sugar. Diante disso, ecoam as seguintes indagações: será que seremos “lembrados” quando estivermos bem longe daqui? Talvez isso seja quase um padrão do ser humano, pois só dá valor depois que perde. Não sei se seremos “honrados” quando já não estivermos aqui, quem sabe? Não sei se seremos “homenageados” quando morrermos; afinal, que importância terá isso? Demos tudo o que tínhamos; quem deu valor? E o que oferecemos, valeu a pena? Alguém aproveitou? Ou apenas “se aproveitou”? Para muitos, somos descartáveis; para outros, apenas mais um. Esperamos em Deus um dia descansar, um dia sermos curados, um dia sermos recompensados.

Pr. Elder Morais

Por que a liderança cristã intermediária é tão desafiadora?

O exercício da liderança em todos os segmentos já é por si só um grande desafio, agora acrescente a isso a busca pelo chamado e serviço voluntário na obra de Deus, ou seja, no exercício da liderança cristã. Se as imposições de quem paga para poder exigir ou os ócios de ofício de quem recebe para poder cumprir se assemelham em suas ações e até em seus resultados, como despertar submissão, espontaneidade e diligência nos corações daqueles que exercem a liderança cristã?  Falo isso porque é comum encontrar pessoas almejando “salário”, quando na verdade, deveriam desfrutar da recompensa. Enquanto o salário se refere a um contrato de troca ou acordo com direitos e obrigações, o galardão carrega o sentido de reconhecimento do mérito, ligado à boa vontade e diligência. Essa é a diferença entre o CEO de uma instituição, que meramente cumpre o acordo, e o Senhor da obra, que recompensa segundo as obras de cada um.

 

Estar entre o líder e o liderado é realmente desafiador, pois conciliar submissão e autoridade exige renúncia e ao mesmo tempo firmeza. Enquanto na renúncia você paga o preço, no exercício da autoridade a mesma não pode ser negociada. Não estou falando de autoritarismo, mas de influenciar com autoridade, dando exemplo, estando junto, não meramente ordenando. Quando vejo pessoas que, por causa de cargos, buscam honras para si, ou, por causa de títulos, negociam princípios morais e éticos usando de conveniências ou bajulação, buscando a todo custo uma forma de ser notadas, me pergunto: Que tipo de “recompensa” estão buscando? A quem estão servindo?  A Cristo, aos homens ou ao próprio ventre?

Se de um lado somos liderados ou lideramos pessoas sérias, competentes, dedicadas, ainda assim, reconhecem as suas limitações, procurando melhorar, crescer ou aprender, do outro lado, infelizmente, é comum lidar com pessoas “embriagadas” pela autopromoção, presunção ou puro exibicionismo, onde a necessidade de aparecer ou ser vista se torna maior que a sua competência. Lideranças viciadas em bajulação ou liderados manchados pela lisonja tendem a fracassar terrivelmente. Não é uma questão de mera opinião, mas uma triste constatação nos dias atuais. Pense um pouco, se na liderança “secular”, seja ela social ou institucional, temos princípios e diretrizes que as direcionam, o que dizer da liderança cristã, cujos fundamentos estão elencados nos ensinos e legado do Senhor Jesus?  Que tipo de líder lhe influencia ou que tipo de influência você exerce sobre os seus liderados? É, por isso, que a liderança cristã intermediária é tão desafiadora.

 O que a Palavra de Deus nos ensina acerca da liderança cristã intermediária? Que não é bom buscar a própria honra (Jo 7.18; Hb 5.4 cf. Pv 25.27). A recompensa vem de Deus, não dos homens; a Ele devemos agradar (1 Cor 15.58; Cl 3.23,24; Hb 6.10). Devemos agradar àquele que nos chamou, não aos homens; devemos servir à igreja, não ser vistos pelos homens (Gl 1.10; Ef 6.5-8; Cl 3.22-25; 2 Tm 2.4,5). Quando honramos a Deus, honramos os nossos líderes e liderados (1 Ts 2.12,13). Jesus, em sua doutrina, nos alertou acerca dos que se autopromovem ou se exibem, desmascarando as suas verdadeiras intenções (Mt 6.1-18). Jesus não queria aplausos, nem reconhecimentos humanos, tampouco “servos” ou meros seguidores; Jesus não buscava status ou publicidade (Mt 9.30,31; Mc 7.36; Jo 15.14,15). Jesus, o maior exemplo de dignidade, humildade e compromisso (Fl 2.5-11).

 Pr. Elder Morais

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