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A realidade do ministério pastoral e seus contrastes.

    Um sorriso nem sempre revela alegria; pelo contrário, uma hora esconde o desgosto, outra hora disfarça o cansaço. Às vezes o choro parece um alívio, parece emoção, mas, no fundo, é apenas o peso daquilo que nos machuca, de ações que nos ferem, de coisas que nos entristecem. Por vezes, no vazio do silêncio se escondem muitos gritos e, em meio à multidão, a solidão se evidencia. Mas quem liga para isso? Alguém percebe isso? A realidade em contrastes resulta dos constantes conflitos entre expectativas e frustrações, entre conquistas e fracassos, entre consideração e desprezo. A impressão que temos é que, no ministério pastoral, não sabemos se os contrastes se completam ou se repelem, se são de fora para dentro ou se são de dentro para fora.

    Em nossa curta passagem por aqui, o ideal era que fôssemos tratados pelo que somos; talvez fosse mais justo, mais equitativo, mesmo enfrentando o risco de sermos julgados equivocadamente ou confundidos injustamente. Entretanto, a humanidade insiste em nos tratar pelo que temos, pelo que podemos oferecer ou pelas conveniências que em nós se pode extrair ou sugar. Diante disso, ecoam as seguintes indagações: será que seremos “lembrados” quando estivermos bem longe daqui? Talvez isso seja quase um padrão do ser humano, pois só dá valor depois que perde. Não sei se seremos “honrados” quando já não estivermos aqui, quem sabe? Não sei se seremos “homenageados” quando morrermos; afinal, que importância terá isso? Demos tudo o que tínhamos; quem deu valor? E o que oferecemos, valeu a pena? Alguém aproveitou? Ou apenas “se aproveitou”? Para muitos, somos descartáveis; para outros, apenas mais um. Esperamos em Deus um dia descansar, um dia sermos curados, um dia sermos recompensados.

Pr. Elder Morais
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